Grupos de trabalho
Tema do ano
Encontros
Seminarios
Home
Publicações                                  
  • Repensando os 10 anos de Paz  (1992-2002)

Actas do Simpósio "Processo da Paz antes e depois do Acordo Geral" realizado pela Conferência Episcopal de Moçambique nas Comemorações dos 10 anos da Paz         - Ed. CEM-Maputo- Mz

Antes do AGP (Acordo Geral de Paz), perante os horrores da guerra civil no País, a Igreja Católica, através da CEM (Conferência Episcopal de Moçambique) empenhou-se, a tempo e a contratempo, no anúncio do diálogo como sendo a via mais correcta para se alcançar a paz. Haja em vista as famosas Cartas, Notas e Comunicados Pastorais, os sucessivos encontros com os dirigentes das partes em conflito, as diversas sessões de catequese e homilias, bem como a organização e realização de cursos de formação para os Animadores da Reconciliação (Integradores Sociais), culminando, tudo isto, com a participação da própria Igreja na mediação do histórico AGP, em Roma.

Consciente da necessidade de preservação e consolidação da Paz e unida a todas as forças vivas da sociedade moçambicana, a Igreja Católica foi organizando e realizando, após o AGP, ao nível de todo o País, sucessivos cursos de formação sobre Direitos Humanos, Democracia, Cidadania, Eleições etc.

Dez anos depois da Assinatura do AGP (1992-2002), é momento de fazer uma análise e avaliação para verificar se o trabalho realizado teria sido eficiente e ao encontro das expectativas do Povo. Daí a organização e realização dum Simpósio como momento privilegiado para uma reflexão crítica e construtiva sobre como se viveu o Processo de Paz e para colocação de propostas concretas em ordem ao aprofundamento da vivência desta Paz rumo ao futuro. Como método para esta avaliação, a CEM achou por bem chamar os actores do Processo de Paz:
- Os mediadores que desempenharam um papel preponderante nas conversações de Roma;
- As partes em conflito que se comprometeram definitivamente a assinar o AGP e a fazer viver o espírito do mesmo Acordo;
- A sociedade civil que constitui o grupo alvo ou os beneficiários desta Paz.

Estes três actores que, de diferentes maneiras, contribuíram para a Paz, sentaram-se juntos nos dias 1,2 e 3 de Outubro de 2002, no salão nobre do Seminário Maior Teológico S. Pio X, em Maputo, não para chorar pelo “leite derramado” mas para um diálogo franco e aberto em ordem a que, dos dez anos de Paz vividos até então, se possa tirar lições para o futuro. Assim foi o Simpósio!

Gratificante foi observar como resultou acertada a ideia do Simpósio pois nele participaram mais de 300 pessoas entre representantes do Governo e Partidos, entidades diplomatas e religiosas, bem como da sociedade civil em geral. Mais, do que o número de pessoas a abarrotar pelo salão do Seminário, empolgante foi a qualidade e o nível das discussões e do diálogo havidos.

Neste livro, o leitor poderá, entre outros, inteirar-se de três capítulos fundamentais:
- Os Caminhos da Paz: É um capítulo de singular importância pelo resgate da memória histórica que ele apresenta, através da narração de factos inéditos que envolveram o sinuoso caminho da preparação do diálogo para a Paz, até à consumação das conversações para o AGP. Pela CEM se pronuncia o Arcebispo da Beira, D. Jaime Pedro Gonçalves, secundado pelo Cardeal Arcebispo de Maputo, D. Alexandre José Maria dos Santos. O CCM (Conselho Cristão de Moçambique) faz-se eco na pessoa do seu Presidente, o Reverendo Dinis Matsolo, apelando hoje para a unidade das Igrejas que na altura se deram as mãos na busca dos caminhos da Paz. Da Comunidade de S. Egídio – Roma, D. Mateo Zuppi, muito singela e eloqüentemente refere-se à forma do envolvimento da sua Comunidade no processo moçambicano de Paz e, sobretudo, no diálogo de Roma. E´ interessante e gratificante o papel que as Igrejas desempenharam no processo de Paz em Moçambique.
- Os Compromissos da Paz: Neste capítulo as partes em conflito, Renamo e Frelimo, respectivamente nas pessoas do Sr. Marcelino Francisco Xavier e do Dr. Eneas Comiche, procuram reviver e actualizar os compromissos e a responsabilidade assumidos em Roma, em ordem à promoção dos princípios de unidade e reconciliação nacional com projecção para um futuro de paz, estabilidade e progresso.
- Luzes, Sombras e Esperanças da Paz: É o capítulo privilegiado da Sociedade Civil, no qual ela faz uma avaliação do desenvolvimento do processo de Paz depois do AGP, apontando em que é que esta Paz beneficiou efectivamente o Povo e o que falta ainda para satisfazer este mesmo Povo. E mais do que uma simples análise dos dez anos de Paz, a Sociedade Civil exprime, de uma forma contundente é inequívoca, o que ela quer e espera que seja, no concreto, a preservação e a consolidação da Paz, por parte de todos os moçambicanos, de modo a garantir o bem-estar e um desenvolvimento que se identifique com a segurança sócio-económica, cultural e política.

No livro, o leitor poderá encontrar ainda, antes e depois dos três capítulos fundamentais, discursos e depoimentos de diversas entidades que quiseram associar-se ao Simpósio, dando-lhe a credibilidade e a importância de que o mesmo se revestiu.

Em nome da CEM, a Comissão Episcopal de Justiça e Paz e a Caritas Moçambicana, executivos a quem a própria CEM responsabilizou a tarefa da preparação e realização do Simpósio, aproveitam esta oportunidade para dizer que foi gratificante trabalhar para uma causa tão justa. Ao mesmo tempo agradecem a todos os que, sem limites e sem esperar qualquer tipo de gratificação, fizeram com que o Simpósio fosse um sucesso e alcançasse os objectivos pretendidos.

Que cada moçambicano faça a sua parte concreta para que a vivência da Paz no País seja cada vez mais consolidada.

 

 

Quem somos
Que fazemos
Onde actuamos
Contactos
Publicações